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Planejando o futuro: mendigar ou estagiar?

Economia
Escrito por Hermenegildo Gastão   
(3 votos, média de 5.00 em 5)
Qua, 17 de Outubro de 2007 07:08

Hermenegildo Gastão: Nesse artigo vou demonstrar com cálculos estatíticos e estudo de campo a fatídica conclusão que o início de carreira de qualquer profissional é totalmente desanimador.

Nesse artigo vou demonstrar com cálculos estatíticos e estudo de campo a fatídica conclusão que o início de carreira de qualquer profissional é totalmente desanimador.

Tomemos a matemática emprestada:

Pra simplificar, vamos afirmar que um sinal de trânsito muda de estado em média a cada 30 segundos (30 segundos no vermelho e 30 no verde). Então a cada minuto, um mendigo tem 30 segundos para faturar pelo menos R$0,10 (dez centavos de real) o que, numa hora, lhe renderá a módica quantia de R$6,00 (seis reais) = 60min x R$0,10/min.

Considerando que a carga horária normal é de 8 horas/dia e que um mês tem, em média, 22 dias úteis, podemos concluir que nosso mendigo de sinal de trânsito atingiria um faturamento mensal da ordem de R$1.056,00 (mil e cinqüenta e seis reais) = R$6 x 8h x 22 dias.

Será que estamos estrapolando nosso cálculo?

Digamos que R$6/h é uma conta bastante razoável para quem está num semáforo, uma vez que, quem doa nunca dá somente 10 centevos e sim R$0,20, R$0,25, R$0,50 e, às vezes, até 1 real. Ou seja, quem dá esmola geralmente pega um punhado de moedas ou até uma cédula de menor valor.

Mas, digamos que ele fature apenas a metade, ou seja, 3 reais por hora e que trabalhe apenas 7 horas por dia. Dessa forma, nosso mendigo, terá faturado R$462,00 (quatrocentos e sessenta e dois reais) no final do mês.

Podemos afirmar, com certeza, que com esse "salário" nosso pedinte está se equiparando ao valor da "ajuda de custo" de um estagiário.

Podemos imaginar até que nosso mendigo poderá, a cada vez que conseguir uma moeda de R$1,00 (o que não é raro), descansar tranqüilo debaixo de uma árvore por 9 viradas do sinal, sem nenhum chefe para lhe encher o saco.

Mas tudo isso é teoria, vamos ao mundo real

De posse destes dados, nosso repórter para assuntos fedorentos, Amâncio Flatus, se caracterizou de mendigo e foi "trabalhar" num semáforo bem movimentado em uma rua da Lapa, no Rio de Janeiro.

Antes de começar a bater de janela em janela, Amâncio já sofreu pois estaria oferecendo concorrência aos diversos mendigos que por ali atuam. Vencida essa etapa e depois 4 horas de trabalho, fomos contabiliza a féria de nosso "repórter de rua". Somadas todas as moedinhas e algumas cédulas de R$1 que nosso repórter recebeu, obtivemos à quantia de R$20 (vinte reais), já descontados os reais gastos com água consumidos por ele durante seu meio-expediente.

Considerando que esses R$20 são totalmente livres de impostos e que nosso repórter "trabalhou" apenas 4 horas, podemos concluir que se ele fosse um mendigo real, teria atingido a quantia de estimada de R$30.

Para efetuarmos um cálculo mais aproximado vamos tirar a média do valor estimado de um dia de 6 horas com o valor obtido com as 4 horas trabalhadas. Logo temos uma féria de R$25,00 = (R$30+ $20)/2. Dessa forma, fecharíamos o mês com R$550,00 = R$25,00 x 22 dias.

Dados os fatos e estudos de nossa pesquisa, chegamos às seguintes conclusões:

  1. É melhor ser mendigo do que ser estagiário.
  2. Estagiário é inferior a mendigo.
  3. Se esforce como mendigo e ganhe mais do que um estagiário.
  4. Pedir esmolas é mais fácil e melhor que arrumar emprego.

Você tem R$ 0,10 para me dar?

* Hermenegildo Gastão é formado em ciências econômicas com baixarelado em Ohxifode

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