Inconveniência |
| Escrito por Lav Odnanref |
| Seg, 23 de Março de 2009 21:35 | |||
Tenho o dom, o dom de atrair gente "sem noção" pra perto de mim. Pra ilustrar minha afirmativa, vou relatar uma de minhas viagens de retorno ao lar, depois de um dia de trabalho cansativo, de ônibus e cujo tempo de viagem ultrapassa uma hora e meia.Na viagem que passo a narrar, eu fui um dos primeiros passageiros a embarcar no coletivo. Sendo assim, o ônibus estava repleto de lugares vagos, tendo inclusive assentos sem ninguém sentado na janela ou corredor. Todos diriam que no cenário demonstrado acima eu sou um cara de muita sorte, pois há trabalhadores que sofrem em coletivos. Entretanto eu mal comecei a transcrever o terror que foi minha viagem nesse dia. Pouco depois de eu ter embarcado e sentado confortavelmente na poltrona junto a janela, duas fileiras antes das rodas traseiras do ônibus, uma senhora obesa (vamos ser politicamente correros por enquanto) entrou no coletivo. Até aí nenhum problema, pois não sou uma pessoa preconceituosa e essa nova passageira podia escolher um dos muitos lugares pra sentar. O problema é que com minha capacidade de atrair pessoas indesejadas para perto de mim, a chance da fofinha ter resolvido sentar ao meu lado era diretamente proporcional a possibilidade de nevar nos alpes suiços no inverno europeu. Resumindo: a bola de gordura humana sentou-se ao meu lado e me expremeu no canto durante toda a viagem. Isso já teria sido suficientemente incômodo, não fosse o fato que minha vizinha fofucha estava com seu desodorante vencido. Pra quem não acredita, essa combinação foi tão verdadeira quanto o fato da água do mar ser salgada. Não bastasse eu estar apertado e com as narinas ardendo devido ao odor de cebola que emanava do suvaco da gorducha, Morfeu reselveu colaborar e levou minha "amiga de peso" para seu reino pouco depois do ônibus partir do ponto. Com o sacolejar do ônibus, logo a baleia dorminhoca iniciou suas investidas em transformar meu ombro em travesseiro. No objetivo de desviar meu incômodo pela situação que eu vivia naquele momento, peguei o livro que eu estava lendo naquela ocasião, em minha mochila. Obviamente que para poder ler eu contava com a iluminação interna do veículo e que vinha do teto, ao lado oposto de onde eu estava. Como eu sou um cara de sorte, o ônibus não lotou e todo o corredor continuou vazio a excessão de um único passageiro que foi obrigado a viajar em pé. O cidadão desafortunado tinha todo o comprimento do corredor do ônibus para ficar, mas como ele precisava vingar-se em alguém por ter sido obrigado a ficar em pé, eu me tornei a "bola da vez". O "estraga prazeres" decidiu que o melhor lugar para ele era justamente ao lado da "bolo fofo" e ali posicionou-se atrapalhando a passagem da luz. Desta forma fui obrigado a interromper a leitura e guardar meu livro. Nesse momento eu pensei que nada poderia acontecer para piorar a situação. Foi nessa hora que a "destruidora de balanças" começou roncar (e bem alto). Quando desembarquei no ponto próximo de casa, agradeci aos céus por ter chegado com saude e sem mais transtornos. Nesse dia se eu estivesse desembarcando de um avião, beijaria o solo como certo sacerdote fazia.
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Tenho o dom, o dom de atrair gente "sem noção" pra perto de mim. Pra ilustrar minha afirmativa, vou relatar uma de minhas viagens de retorno ao lar, depois de um dia de trabalho cansativo, de ônibus e cujo tempo de viagem ultrapassa uma hora e meia.



