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Vamos tomar um vinho?

Piadagem - Brasileiros
Escrito por Renato Wolfenstein   
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Qua, 21 de Janeiro de 2009 14:30

— Hummm....
— Hummm...
— Eca!
— Eca? Quem falou Eca?
— Fui eu, sô! O senhor num acha que esse vinho tá com um gostim estranho?
— Que é isso?! Ele lembra frutas secas adamascadas, com leve toque de trufas brancas, revelando um retrogosto persistente, mas sutil, que enevoa as papilas de lembranças tropicais atávicas...
— Putaqueopariu! E o senhor cheirou isso tudo aí no copo, sô?
— Claro! Sou um enólogo laureado. E o senhor?
— Cebesta, eu não! Sou isso não senhor!!! Mas que isso aqui tá me cheirando iguarzinho à minha egüinha Gertrudes depois da chuva, lá isso tá!
— Ai, que heresia! Valei-me São Mouton Rothschild!
— O senhor me desculpe, mas eu vi o senhor sacudindo o copo e enfiando o narigão lá dentro. O senhor tá gripado, é?
— Não, meu amigo, são técnicas internacionais de degustação, entende? Caso queira, posso ser seu mestre na arte enológica. O senhor aprenderá como segurar a garrafa, sacar a rolha, escolher a taça, deitar o vinho e, então,...
— E antão molhar o biscoito, né? Tô fora, seu frutinha adamascada!!!
— O querido não entendeu. O que eu quero é introduzi-lo no...
— Mas num vai introduzir mas é nunca! Desafasta, coisa ruim!
— Calma! O senhor precisa conhecer nosso grupo de degustação. Hoje, por exemplo, vamos apreciar uns franceses jovens...
— Hã-hã... eu sabia que tinha francês nessa história lazarenta...
— O senhor poderia começar com um Beaujolais!
— Num beijo lé, nem beijo lá! Eu só é homem, safardana!
— Então, que tal um mais encorpado?
— Óia lá, ocê tá brincando com fogo...
— Ou, então, um suave fresco!
— Seu moço, tome tento, que a minha mão já tá coçando de vontade de lhe meter-lhe a mão na sua cara desavergonhada!!!
— Já sei: iniciemos com um brut, curto e duro. O senhor vai gostar!
— Num vô não, fio de um cão! Mas num vô, mermo!!! Num é questão de tamanho e firmeza, não, seu fióte de brabuleta. Meu negócio é outro, qui inté rima com brabuleta...
— Então, vejamos, que tal um aveludado e escorregadio?
— E que tal a mão no pédouvido, hein, seu fióte de Belzebu?
— Pra que esse nervosismo todo? Já sei, o senhor prefere um duro e macio, acertei?
— Eu vou acertar é um tapão nas suas venta, cão sarnento!!! Engolidor de rolha!!!
— Mole e redondo, com bouquet forte?
— Agora, ocê pulou o corguinho!!! E é um... e é dois... e é trêis!!! Num corre, não, fiodaputa! Vorta aqui que eu te arrebento, seu bicha fedorento!!!...

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Comentários  

 
0 #1 Toninho da Capadócia 21-01-2009 12:46
:-x
Finalmente uma piada que me deixa assim, feliz em comentar.
Com o pretexto de descerrar uma cena Psedo-engraçada, o narrador conduz uma estória desfiando nomes, jargões ti#%$!&*€mente do conhecimento dos apreciadores de vinho. Enólogos.
Um background chulo, sem nenhuma mulher gostosa, papagaio ou afro-descendente...
Pobre e tecnicamente pseudo-elitista.
Um xiste!
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