Juvenal, o desesperado |
| Piadagem - Miscelânea |
| Escrito por Renato Wolfenstein |
| Ter, 01 de Novembro de 2005 02:46 | |
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O Juvenal tava desempregado há meses, para ser preciso 18 meses. A situação já estava crítica, devia à farmácia, à padaria, ao açougue mas, com a resistência que só os brasileiros têm, o Juvenal foi tentar mais um emprego em mais uma entrevista. Ao chegar no escritório, cheio de esperança mas com a cabeça baixa vai até a recepção, uma moça linda o recebe e Juvenal, cheio de timidez, fala que tinha uma entrevista para emprego marcada. Ela o acompanha ao 25º andar e o conduz a uma sala onde um entrevistador o aguardava. Começando a entrevista o entrevistador lhe perguntou: - Qual foi seu último salário? Se até amanhã (sexta-feira) à meia-noite o senhor NÃO receber um telegrama nosso cancelando, pode vir trabalhar na segunda-feira. Juvenal saiu do escritório radiante. Agora era só esperar até a meia-noite da sexta-feira e rezar para que não aparecesse nenhum maldito telegrama. Sexta-feira mais feliz não poderia haver. E Juvenal reuniu a família e contou as boas novas. Convocou o bairro todo para uma churrascada comemorativa a base de muita música. Sexta de tarde já tinha um barril de choop aberto. As 9 horas da noite a festa fervia. A banda tocava, o povo dançava, a bebida rolava solta. Dez horas, e a mulher de Juvenal aflita, achava tudo um exagero. A vizinha gostosa, interesseira, já se jogava pra perto do Juvenal. E a banda tocava! E o choop gelado rolava! O povo dançava! Onze horas, Juvenal já era o rei do bairro. Gastaria horrores para o bairro encher a pança. Tudo por conta do primeiro salário. E a mulher resignada, meio aflita, meio alegre, meio boba, meio assustada. Onze horas e cinqüenta e cinco minutos... Vira na esquina buzinando feito louco uma motoca amarela... Era do Correio! A festa parou! A banda calou! A tuba engasgou! Um bêbado arrotou! Uma velha peidou! Um cachorro uivou! E agora? Quem pagaria a conta da festa? - Coitado do Juvenal! Era a frase mais ouvida. Jogaram água na churrasqueira! O chopp esquentou! A mulher do Juvenal desmaiou! A motoca parou! - Senhor Juvenal Batista Romano Barbieri? A multidão não resistiu... - OOOOOHHHHHHHHHHH! Juvenal não acreditava... Pegou o telegrama, com os olhos cheios d'água, ergueu a cabeça e olhou para todos. Silêncio total. Respirou fundo e abriu o telegrama. Uma lágrima rolou, molhando o telegrama. Olhou de novo para o povo e a consternação era geral. Tirou o telegrama do envelope, abriu e começou a ler. O povo em silêncio aguardava a notícia e se perguntava. - E agora? Quem vai pagar essa festa toda? Juvenal recomeçou a ler, levantou os olhos e olhou mais uma vez para o povo que o encarava. Então, Juvenal abriu um largo sorriso, deu um berro triunfal e começou a gritar eufórico. - Mamãe morreeeeuuu! Mamãe Morreeeeuuu!
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